Como Identificar Padrões Emocionais que se Repetem na Sua Vida

Você já teve a sensação de estar vivendo a mesma história com personagens diferentes?

Talvez você perceba que sempre acaba entrando em relacionamentos parecidos. Ou que costuma assumir responsabilidades demais, mesmo quando promete que dessa vez vai se preservar. Talvez determinadas situações despertem sempre a mesma reação: você se cala, se afasta, explode, sente culpa ou começa a imaginar que fez alguma coisa errada.

Quando isso acontece repetidamente, vale parar e olhar com mais atenção.

Nem tudo que acontece conosco é coincidência. Muitas vezes, nossos pensamentos, emoções e comportamentos seguem padrões que foram construídos ao longo da nossa história e continuam influenciando nossas escolhas sem que percebamos.

Neste artigo, quero falar justamente sobre isso: como identificar padrões emocionais que se repetem na nossa vida e por que reconhecê-los pode ser o primeiro passo para começar a fazer escolhas diferentes.

O que são padrões emocionais?

Quando falo em padrões emocionais, estou me referindo a maneiras recorrentes de pensar, sentir e agir diante de determinadas situações.

Imagine, por exemplo, uma pessoa que sempre sente medo de ser abandonada. Quando percebe que alguém está mais distante, começa a imaginar que será deixada de lado. Em seguida, busca constantemente confirmação, envia várias mensagens ou tenta agradar ainda mais a pessoa.

No início, talvez ela nem perceba esse comportamento.

Depois, o relacionamento fica desgastante, termina e, algum tempo depois, a história se repete com outra pessoa.

O padrão não está necessariamente no relacionamento. Pode estar na maneira como essa pessoa interpreta a situação e reage a ela.

É importante entender que reconhecer um padrão não significa culpar a si mesmo. Esses comportamentos geralmente tiveram uma função em algum momento da nossa vida. O problema aparece quando continuam sendo utilizados mesmo quando já não fazem sentido para a realidade atual.

Por que repetimos comportamentos que nos fazem sofrer?

Essa é uma das perguntas mais importantes quando começamos a observar nossos padrões.

Se determinado comportamento provoca sofrimento, por que continuamos fazendo a mesma coisa?

Porque aquilo que conhecemos pode parecer mais seguro do que aquilo que é novo.

Nosso cérebro tende a buscar previsibilidade. Assim, mesmo uma situação desconfortável pode parecer familiar. E o familiar, muitas vezes, é interpretado como mais seguro.

Uma pessoa que aprendeu desde cedo que precisa agradar os outros para receber carinho, por exemplo, pode continuar fazendo isso na vida adulta.

Ela pode dizer “sim” quando gostaria de dizer “não”, evitar conflitos e colocar as necessidades dos outros sempre em primeiro lugar.

Não porque queira sofrer, mas porque aprendeu que esse comportamento ajuda a manter os vínculos.

Perceber isso muda completamente a forma como olhamos para nossas próprias atitudes.

O padrão começa antes do comportamento

Quando identificamos apenas o comportamento, podemos perder uma parte importante da história.

Por exemplo:

Situação: alguém demora para responder uma mensagem.

Pensamento: “Essa pessoa está perdendo o interesse em mim.”

Emoção: ansiedade.

Comportamento: enviar várias mensagens ou tentar chamar a atenção.

Perceba que o comportamento não surgiu sozinho. Antes dele existiram uma interpretação e uma emoção.

Por isso, quando quero compreender um padrão emocional, não observo apenas aquilo que a pessoa fez. Procuro entender o que aconteceu dentro dela antes daquela reação.

Essa observação pode revelar muito.

Observe aquilo que sempre parece acontecer “de novo”

Uma das maneiras mais práticas de identificar padrões é prestar atenção nas histórias que parecem se repetir.

Pergunte a si mesmo:

  • Quais situações costumam despertar reações muito intensas em mim?
  • Que tipo de conflito aparece frequentemente nos meus relacionamentos?
  • Existe alguma reclamação que pessoas diferentes já fizeram sobre mim?
  • Costumo reagir da mesma maneira quando me sinto criticado?
  • Tenho dificuldade em estabelecer limites?
  • Costumo assumir responsabilidades que não são minhas?
  • Tenho medo de decepcionar as pessoas?
  • Quando algo dá errado, automaticamente penso que a culpa é minha?

Não precisamos encontrar respostas perfeitas.

O objetivo é começar a perceber conexões.

Preste atenção aos seus gatilhos emocionais

Algumas situações parecem pequenas para outras pessoas, mas provocam uma reação muito intensa em nós.

Uma crítica, uma mudança de planos, uma mensagem não respondida, uma cobrança ou até mesmo um silêncio podem despertar emoções fortes.

Isso não significa que a reação seja “exagerada”. Significa que aquela situação pode estar tocando em algo importante para você.

Por isso, quando uma reação parecer muito intensa, experimente perguntar:

“O que exatamente nessa situação me incomodou tanto?”

Às vezes, a resposta não está apenas no que aconteceu naquele momento.

Ela pode estar relacionada ao significado que aquela situação tem para você.

A repetição aparece também nos relacionamentos

Os relacionamentos são um dos lugares onde nossos padrões emocionais ficam mais evidentes.

Algumas pessoas percebem que sempre escolhem parceiros emocionalmente indisponíveis.

Outras percebem que se tornam responsáveis por resolver todos os problemas da relação.

Também existem aquelas que evitam qualquer conversa difícil e acabam acumulando ressentimentos.

O importante não é olhar para isso com a pergunta “Por que eu faço isso comigo?”.

Uma pergunta mais útil seria:

“O que estou tentando proteger ou conseguir quando ajo dessa maneira?”

Talvez exista medo de rejeição.

Talvez exista necessidade de aprovação.

Talvez exista dificuldade em confiar.

Talvez a pessoa tenha aprendido que amar significa abrir mão de si mesma.

Quando compreendemos a função de um comportamento, começamos a enxergar possibilidades de mudança.

Nem todo padrão é negativo

É importante fazer uma distinção.

Nem todo padrão precisa ser eliminado.

Existem padrões saudáveis que construímos ao longo da vida: pedir ajuda quando precisamos, respeitar nossos limites, conversar antes de tirar conclusões, cuidar das pessoas que amamos e buscar soluções diante das dificuldades.

O problema está nos padrões que nos aprisionam.

Aqueles que fazem com que continuemos vivendo situações que não desejamos ou reagindo de maneiras que depois nos causam sofrimento.

O objetivo não é mudar quem somos.

É ter mais liberdade para escolher como queremos agir.

Como começar a interromper um padrão emocional

Identificar o padrão é apenas o começo. A mudança acontece quando conseguimos criar um espaço entre aquilo que sentimos e aquilo que fazemos.

Quando perceber uma reação conhecida, tente fazer uma pausa.

Pergunte:

“Eu preciso realmente reagir dessa maneira agora?”

Depois, tente identificar:

  1. O que aconteceu?
  2. O que pensei sobre aquilo?
  3. O que senti?
  4. O que tive vontade de fazer?
  5. O que fiz?
  6. Qual foi a consequência?

Esse pequeno exercício pode ajudar a transformar uma reação automática em uma escolha consciente.

No começo, pode parecer difícil. Afinal, estamos falando de comportamentos que foram repetidos muitas vezes.

Porém, perceber o padrão já cria uma possibilidade que antes não existia: a possibilidade de escolher diferente.

A terapia pode ajudar a compreender esses ciclos

Alguns padrões são fáceis de perceber. Outros estão tão ligados à nossa história que precisamos de ajuda para enxergá-los.

A psicoterapia pode ser um espaço importante nesse processo.

Durante o acompanhamento psicológico, é possível observar pensamentos, emoções, comportamentos e experiências que ajudam a explicar determinadas formas de agir.

Mais do que descobrir “o que há de errado comigo”, o processo permite compreender por que desenvolvi determinadas maneiras de lidar com a vida e se elas ainda fazem sentido para mim.

Essa compreensão pode abrir espaço para novas formas de pensar, sentir e se relacionar.

Conclusão

Talvez você não consiga mudar imediatamente um padrão emocional que levou anos para ser construído. E não precisa.

O primeiro passo é perceber.

Perceber quando determinada situação desperta sempre a mesma emoção. Perceber quais pensamentos aparecem. Perceber como você costuma reagir e, principalmente, perceber o que acontece depois.

Autoconhecimento não significa controlar todas as emoções ou nunca mais cometer os mesmos erros.

Significa começar a reconhecer aquilo que antes acontecia automaticamente.

E quando conseguimos enxergar nossos padrões, ganhamos algo muito importante: a oportunidade de escolher um caminho diferente.

Às vezes, a mudança que procuramos não começa com uma grande decisão. Ela começa naquele pequeno momento em que conseguimos parar e pensar:

“Eu já vivi isso antes. Dessa vez, talvez eu possa fazer diferente.”

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